DAS SALAS DE AULA NA FIGUEIRA
AO TOPO DA ARQUITETURA EUROPEIA
Mauro Brigham e o seu estúdio
ncbham foram distinguidos com o ECIA Interior Award 2026 pelo projeto
Materiatek, uma biblioteca de materiais independente e sustentável em Bruxelas
O estúdio de arquitetura de
interiores ncbham, fundado e dirigido pelo português Mauro Brigham, foi
distinguido com o ECIA Interior Award 2026, na categoria “Comercial”, com o
projeto Materiatek. Trata-se de um espaço sustentável que nasceu da
reconversão de um antigo edifício industrial em Molenbeek, Bruxelas, e que
reúne uma biblioteca de materiais curada, uma zona de cowork para designers e
um programa contínuo de conferências e eventos.
O prémio atribuído pelo
European Council of Interior Architects celebra o projeto europeu mais
visionário no domínio da arquitetura de interiores ao avaliar os projetos
candidatos segundo os oito critérios do Davos Quality System, considerando
a qualidade do conceito espacial, a coerência entre intenção e execução, e a
forma como o design responsável se traduz em materialidade, atmosfera,
funcionalidade e experiência do utilizador. Por isso, na edição deste ano, que
foi dedicada ao tema do "Design Responsável", o projeto vencedor
Materiatek foi igualmente reconhecido como um exemplo de referência máxima a
nível europeu.
«Este prémio reconhece uma
convicção que orienta o nosso trabalho há muitos anos: a de que a arquitetura
de interiores pode, e deve, criar valor para além das paredes de um projeto,
para uma comunidade, para uma profissão e para uma forma mais responsável de
construir. É uma enorme honra ver a Materiatek reconhecida ao nível europeu»,
afirma o arquiteto que considera que «o espaço tem o poder de moldar a forma
como as pessoas vivem, trabalham e se relacionam».
"Este prémio reconhece
uma convicção que orienta o nosso trabalho há muitos anos: a de que a
arquitetura de interiores pode, e deve, criar valor para além das paredes de um
projeto, para uma comunidade, para uma profissão e para uma forma mais responsável
de construir"
Apesar do sucesso consolidado na
capital belga, o percurso de Mauro Brigham é profundamente marcado por Portugal
e, em particular, pela Figueira da Foz. Natural de Lisboa, o arquiteto mudou-se
para esta cidade à beira-mar plantada aos 3 anos, onde viveu até aos 15. Após
os seus pais terem regressado de Angola, em 1974, depararam-se com a
impossibilidade de encontrar trabalho estável no país, o que os forçou a
emigrar por razões puramente financeiras. Mauro e os irmãos ficaram em Portugal
ao cuidado dos avós.
Na Figueira da Foz, o arquiteto
construiu as suas bases académicas, afetivas e sociais. Frequentou o Jardim de
Infância Conde Ferreira, a Escola Dr. João de Barros, a Escola Secundária Dr.
Bernardino Machado e, durante um ano, a Escola Secundária Dr. Joaquim de
Carvalho. Foi apenas em 1992, quando a situação profissional da sua mãe
estabilizou na Bélgica, que Mauro e os irmãos se mudaram para junto dela. A
família fixou-se inicialmente em Antuérpia e, mais tarde, em Bruxelas, cidade
onde o arquiteto reside e trabalha há 26 anos.
Porém, Mauro Brigham confessa ao
nosso jornal que mantém uma «ligação muito forte» à Figueira da Foz,
explicando que «ficaram muitos laços de amizade» criados durante os anos de
escola, mas também pela família - o irmão Marco e os tios - que ainda reside na
cidade.

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