quinta-feira, 29 de outubro de 2026

ANTIGO BASQUETEBOLISTA DA NAVAL 1º DE MAIO NO TOPO DA ARQUITETURA EUROPEIA

DAS SALAS DE AULA NA FIGUEIRA AO TOPO DA ARQUITETURA EUROPEIA

Mauro Brigham e o seu estúdio ncbham foram distinguidos com o ECIA Interior Award 2026 pelo projeto Materiatek, uma biblioteca de materiais independente e sustentável em Bruxelas

O estúdio de arquitetura de interiores ncbham, fundado e dirigido pelo português Mauro Brigham, foi distinguido com o ECIA Interior Award 2026, na categoria “Comercial”, com o projeto Materiatek. Trata-se de um espaço sustentável que nasceu da reconversão de um antigo edifício industrial em Molenbeek, Bruxelas, e que reúne uma biblioteca de materiais curada, uma zona de cowork para designers e um programa contínuo de conferências e eventos.

O prémio atribuído pelo European Council of Interior Architects celebra o projeto europeu mais visionário no domínio da arquitetura de interiores ao avaliar os projetos candidatos segundo os oito critérios do Davos Quality System, considerando a qualidade do conceito espacial, a coerência entre intenção e execução, e a forma como o design responsável se traduz em materialidade, atmosfera, funcionalidade e experiência do utilizador. Por isso, na edição deste ano, que foi dedicada ao tema do "Design Responsável", o projeto vencedor Materiatek foi igualmente reconhecido como um exemplo de referência máxima a nível europeu.

«Este prémio reconhece uma convicção que orienta o nosso trabalho há muitos anos: a de que a arquitetura de interiores pode, e deve, criar valor para além das paredes de um projeto, para uma comunidade, para uma profissão e para uma forma mais responsável de construir. É uma enorme honra ver a Materiatek reconhecida ao nível europeu», afirma o arquiteto que considera que «o espaço tem o poder de moldar a forma como as pessoas vivem, trabalham e se relacionam».

"Este prémio reconhece uma convicção que orienta o nosso trabalho há muitos anos: a de que a arquitetura de interiores pode, e deve, criar valor para além das paredes de um projeto, para uma comunidade, para uma profissão e para uma forma mais responsável de construir"

Apesar do sucesso consolidado na capital belga, o percurso de Mauro Brigham é profundamente marcado por Portugal e, em particular, pela Figueira da Foz. Natural de Lisboa, o arquiteto mudou-se para esta cidade à beira-mar plantada aos 3 anos, onde viveu até aos 15. Após os seus pais terem regressado de Angola, em 1974, depararam-se com a impossibilidade de encontrar trabalho estável no país, o que os forçou a emigrar por razões puramente financeiras. Mauro e os irmãos ficaram em Portugal ao cuidado dos avós.

Na Figueira da Foz, o arquiteto construiu as suas bases académicas, afetivas e sociais. Frequentou o Jardim de Infância Conde Ferreira, a Escola Dr. João de Barros, a Escola Secundária Dr. Bernardino Machado e, durante um ano, a Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho. Foi apenas em 1992, quando a situação profissional da sua mãe estabilizou na Bélgica, que Mauro e os irmãos se mudaram para junto dela. A família fixou-se inicialmente em Antuérpia e, mais tarde, em Bruxelas, cidade onde o arquiteto reside e trabalha há 26 anos.

Porém, Mauro Brigham confessa ao nosso jornal que mantém uma «ligação muito forte» à Figueira da Foz, explicando que «ficaram muitos laços de amizade» criados durante os anos de escola, mas também pela família - o irmão Marco e os tios - que ainda reside na cidade.

 DC

 

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