A Veneranda Velhinha Naval
Ainda me recordo quando entrei pela primeira vez naquela casa enorme na Rua da República, onde os jovens eram acarinhados pelos mais velhos, ouviam-se os acordes vindos do palco com os seus ensaios teatrais, e no salão naquelas noites quentes onde as respirações se fundiam, as vozes se amolgavam mas os corações batiam em uníssono, saltavam as bolas de couro, ouviam-se tiros secos a um canto enchendo alvos de chumbo e as ceias do 1º de Maio que envolviam toda a família navalista, para comemorar o seu aniversário e os bailes que enchiam o enorme salão e a serra-a-velha apresentada por ilustres navalistas – não era uma sede mas um reduto, um castelo de ameias altas disposta a defender a soberania intocável do tesouro ali tão perto, tudo era prata e ouro cheio de suor e glória, troféus que em miúdo olhava extasiado há espera que me dessem uma explicação (tudo ardeu).
Hoje tudo é diferente, já não existe esse encanto acolhedor e o tempo é repartido pelos quatro canais de televisão, mais TV Cabo, pelo sofá e pelo comodismo instalado, mas a Naval pese embora a sua riqueza armazenada no passado mas perdida no presente, também tem de ter vida, já não se ouvem as noites de gala, os sons dos metais já não marcam a cedência e o ritmo dos bailes da bela época, as tábuas do velho salão já não fazem tremer a garrafeira do Pascoal, se as Assembleias são simples encontros de amigos fieis, a verdade é que o nome da Naval existe, tem vida, tem movimento, mas não tem sede. A Associação Naval 1º de Maio nasceu no dia dos trabalhadores, também essa data no momento presente, despida de simbolismo, desatados que foram as amarras do fascismo, a sua essência permanece, a autenticidade persiste, a razão da sua existência está actual, pelo que sem sede própria não cria raízes futuras deixando de haver um sítio próprio onde o convívio e as ideias se poderiam cruzar e desenvolver prestígio.
A NOVA SEDE?
Será que a sua nova sede vai ser implantada no lugar que todos desejam ou seja no mesmo local da antiga sede e que tantas recordações nos deixou e ficaram enterradas?
As conversas proliferam nestes últimos anos e todos os dias pela cidade na boca de todos os navalistas, depois do desaparecimento da velhinha Naval, essa tragédia que deixou consternada toda a cidade e infelizmente sem se concretizarem até ao momento os desejos ambiciosos de todos nós, mas que a popular e eclética Associação Naval 1º de Maio a merecia não oferece dúvidas a ninguém.
Peguem-lhe de vez ao colo, meus senhores com devoção e carinho. A Figueira tem uma dívida para o mais representativo clube e que melhor prenda haveria que não fosse uma sede onde Domingos e Feriados, o hastear da bandeira verde e branca fosse um hino em louvor à Figueira e a todos quanto a representaram. Fica o apelo aos responsáveis, para que este sonho se torne realidade.
João Pedrosa Mendes (Ex-Massagista)
Ainda me recordo quando entrei pela primeira vez naquela casa enorme na Rua da República, onde os jovens eram acarinhados pelos mais velhos, ouviam-se os acordes vindos do palco com os seus ensaios teatrais, e no salão naquelas noites quentes onde as respirações se fundiam, as vozes se amolgavam mas os corações batiam em uníssono, saltavam as bolas de couro, ouviam-se tiros secos a um canto enchendo alvos de chumbo e as ceias do 1º de Maio que envolviam toda a família navalista, para comemorar o seu aniversário e os bailes que enchiam o enorme salão e a serra-a-velha apresentada por ilustres navalistas – não era uma sede mas um reduto, um castelo de ameias altas disposta a defender a soberania intocável do tesouro ali tão perto, tudo era prata e ouro cheio de suor e glória, troféus que em miúdo olhava extasiado há espera que me dessem uma explicação (tudo ardeu).
Hoje tudo é diferente, já não existe esse encanto acolhedor e o tempo é repartido pelos quatro canais de televisão, mais TV Cabo, pelo sofá e pelo comodismo instalado, mas a Naval pese embora a sua riqueza armazenada no passado mas perdida no presente, também tem de ter vida, já não se ouvem as noites de gala, os sons dos metais já não marcam a cedência e o ritmo dos bailes da bela época, as tábuas do velho salão já não fazem tremer a garrafeira do Pascoal, se as Assembleias são simples encontros de amigos fieis, a verdade é que o nome da Naval existe, tem vida, tem movimento, mas não tem sede. A Associação Naval 1º de Maio nasceu no dia dos trabalhadores, também essa data no momento presente, despida de simbolismo, desatados que foram as amarras do fascismo, a sua essência permanece, a autenticidade persiste, a razão da sua existência está actual, pelo que sem sede própria não cria raízes futuras deixando de haver um sítio próprio onde o convívio e as ideias se poderiam cruzar e desenvolver prestígio.
A NOVA SEDE?
Será que a sua nova sede vai ser implantada no lugar que todos desejam ou seja no mesmo local da antiga sede e que tantas recordações nos deixou e ficaram enterradas?
As conversas proliferam nestes últimos anos e todos os dias pela cidade na boca de todos os navalistas, depois do desaparecimento da velhinha Naval, essa tragédia que deixou consternada toda a cidade e infelizmente sem se concretizarem até ao momento os desejos ambiciosos de todos nós, mas que a popular e eclética Associação Naval 1º de Maio a merecia não oferece dúvidas a ninguém.
Peguem-lhe de vez ao colo, meus senhores com devoção e carinho. A Figueira tem uma dívida para o mais representativo clube e que melhor prenda haveria que não fosse uma sede onde Domingos e Feriados, o hastear da bandeira verde e branca fosse um hino em louvor à Figueira e a todos quanto a representaram. Fica o apelo aos responsáveis, para que este sonho se torne realidade.
João Pedrosa Mendes (Ex-Massagista)
1 comentário:
Grande João Cochicho
A tua carta sinceramente não me surpreendeu, pois para quem te conhece bem como eu, sei que a nossa Naval é algo de muito querido para ti, aliás como para todos nós.
Quando li a tua carta nos Meninos da Naval algo me veio á memória e que não resisto a contar. Não sei se te lembras mas a história é esta. em 1983 foi operado a um joelho. Quando saí do Hospital fui recuperar para um consultório que existia nas proximidades do campo de Treinos. Andei lá uma data de meses aquilo era duro e nem atava nem desatava. Fui então ter contigo ao Salão da Naval onde existia o posto clinico e dei-te conta das minhas queixas. Ainda te oiço a dizer "compra um pacote de pó talco e depois vem ter comigo" Assim fiz a partir desse dia não sei quantas vezes ao pé coxinho subi os degraus da ultima porta da Naval na Rua da Républica e no fim levava uma massagem de pó talco. Ainda hoje quando nos cruzamos me recordo dessa história e das Massagens de Pó Talco.
Aquele Abraço
Rogério Neves
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